Como Formar um Leitor?

Existe coisa mais divertida que ler? Magia, fantasia e imaginação são apenas alguns dos elementos presentes nesses momentos, muitas vezes inesquecíveis. Porque então, as escolas formam tão poucos leitores e o gosto pelos livros ainda é uma raridade em nosso país?







Qual o contexto desse problema?

Os estudos apontam que o vilão dessa história é sempre o mesmo: misturar a literatura com atividades didáticas. Com razão, os estudantes não gostam quando precisam fazer resumos ou preencher fichas após a leitura de um texto.
Afinal, se a leitura deve provocar prazer e fruição, não há sentido em exigir tarefas que não tenham relação com isso. Estimular as múltiplas interpretações dos alunos privilegiando a construção de sentidos para os textos, estabelecendo relações com a realidade dos alunos e seus conhecimentos prévios e promovendo a construção de seu conhecimento por meio de atividades problematizadoras, deveria ser o objetivo da leitura.















O que dizem os especialistas?


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Doze maneiras simples de tornar difícil a aprendizagem da leitura (artigo publicado em I’Éducacion, 22 de maio de 1980)


1. estabeleça como meta o domínio precoce das regras de leitura.


2. cuide bem para que a fonética seja aprendida e utilizada


3. ensine as letras ou palavras, uma a uma, certificando-se de que cada letra ou palavra foi assimilada antes de passar para a seguinte


4. defina, como objetivo principal, uma leitura palavra-por-palavra perfeita


5. não deixe as crianças adivinharem; pelo contrario, exija que leiam com atenção


6. procure evitar, de todas as maneiras, que as crianças errem


7. dê um feedback imediato


8. detecte e corrija os movimentos incorretos dos olhos


9. identifique os eventuais disléxicos e trate-os o mais cedo possível


10. esforce-se para que as crianças apreendam a importância da leitura e a gravidade do fracasso


11. aproveite as aulas de leitura para melhorar a ortografia e a expressão escrita; insista também em que os alunos falem a melhor língua possível


12. se o método utilizado não lhe satisfazer, tente outro. Esteja sempre alerta, para achar material novo e técnicas novas


(Foucambert, 1994, p.13)


Direitos imprescindíveis do leitor:


1. o direito de não ler


2. o direito de pular paginas


3. o direito de não terminar um livro


4. o direito de reler


5. o direito de ler qualquer coisa


6. o direito de bovarismo


7. o direito de em qualquer lugar.


8. o direito de ler uma frase aqui e outra ali


9. o direito de ler em voz alta


10. o direito de calar


(Pennac, 1997, p.139)


Os textos de Foucambert e Pennac retratam a dicotomia da realidade presente nas escolas, revelando duas concepções de leitura:


Reduzida: que na leitura de um texto privilegia a decodificação dos símbolos gráficos, a compreensão das palavras e expressões e, logo, seu sentido mais imediato.


Ampliada: que na leitura de um texto privilegia os múltiplos sentidos presentes neste, as condições em que este foi produzido, sejam internas, sejam internas.


Tal concepção reduzida é a que tem causado alem de outros fatores a problemática na formação do leitor, pois


“A iniciação da leitura transcende o ato simples de apresentar ao sujeito as letras que ai estão já escritas. È mais que preparar o leitor para a decifração das artimanhas de uma sociedade que pretende também consumi-lo. É mais do que a incorporação de um saber frio, astutamente construído. (...) Fundamental, ao pretender ensinar a leitura, é convocar o homem para tomar da sua palavra. (Queiros, 1999, p.24)


E é este tipo de leitura o mais prejudicado no ambiente escolar devido às próprias distorções existentes no nosso sistema de ensino. Ao invés do prazer, levantam-se o autoritarismo da obrigação, do tempo predeterminado para a leitura, da ficha de leitura, da interpretação prefixada a ser convergentemente reproduzida (como se isso fosse possível!) pelo aluno-leitor e outros mecanismos que levam ao desgosto pela leitura e à morte paulatina dos leitores (...) (Silva. 1986)


Vale lembrar que perceber o múltiplos sentidos do texto depende da visão social de mundo de cada um. Segundo Abreu:


“Diferentes leitores, espectadores, ouvintes, produzem apropriações inventivas – e diferenciadas – dos textos que recebem.... (o leitor), pois ele esta submetido a restrições e limites impostos por sua formação cultural e pela forma particular do texto que lê. (2000, PP.123-124)


Além, da concepção adotada, quais outros fatores influenciam na formaçao do leitor?


• Muitos alunos por pertencerem a uma classe social desprivilegiada social e economicamente são privadas de bens culturais, ou seja, tem dificuldades de aquisição de livros, participar de eventos culturais, fato que influencia negativamente.


• O fato do processo de formação está intimamente ligado aos primeiros rituais de iniciação, a presença do adulto no papel de estimular, despertar o interesse do leitor é importantíssima. As primeiras experiências geralmente acontecem nos contextos familiares.


• O processo de formação deve esta necessariamente vinculado a situações/experiências que despertem o seu gosto/ prazer pela leitura, daí a importância de ambientes geradores de praticas leitoras.


• Um fator prejudicial é o fato de muitos professores trabalharem apenas com fragmentos de textos literários, e mesmo quando são textos completos o objetivo principal é ensinar questões gramaticais.


• A forma de cobrança dos textos como: prazos para leitura, fichas de leitura, interpretações prefixadas, obrigação de ler o livro escolhido pelo professor ou escola, dentre outras fazem com que o texto literário seja entendido como uma obrigação e não como linguagem artística, impedindo que os alunos/leitores conheçam sua literalidade.


• O uso da literatura é imprescindível para tal formação, pois segundo Zilberman e Silva:


“Compete hoje ao ensino da literatura não mais a transmissão de um patrimônio já construído e consagrado, mas a responsabilidade pela formação do leitor. A execução dessa tarefa depende de se conceber a leitura não como o resultado satisfatório do processo de alfabetização e decodificação da matéria escrita, mas como atividade propiciadora de uma experiência única com o texto literário. A literatura se associa à leitura, do que advém a validade dessa. (...) A experiência da leitura decorre das propriedades da literatura, (...) Nesse sentido, o texto literário introduz um universo que, por mais distanciado do cotidiano, leva o leitor a refletir sobre sua rotina e a incorporar novas experiências” (1990, PP. 18-19)


• Outros fatores prejudiciais são a didatização e pedagogização da leitura feita pela escola. • Fator importante é a utilização de critérios no momento da seleção dos livros de literatura infanto-juvenil que serão utilizados no cotidiano escolar. Tais critérios devem buscar historias geradoras de sentidos, ampliadora da compreensão de mundo, estimuladora de experiências novas, e, sobretudo, desencadeadora de puro prazer.


• A falta de tempo do professor, a formação precária, principalmente no que concerne a Literatura, a falta de habito (pelo menos) de praticas leitoras, dentre outros, são fatores que dificultam a escolha dos livros, que em certos momentos acabam sendo escolhidos sem questionamentos do professor pela escola ou editoras de livros.


Os alunos não lêem, mas será que o professor lê? Parece-nos que, pelas suas próprias condições de vida (salário, tempo, regime de trabalho, família etc.), o professor, em termos de atualização através da leitura, vem sendo extremamente afetado e prejudicado. Dai, talvez a facilidade com que determinadas editoras fazem comercio direto dentro das escolas, burlando livrarias e bibliotecas e transformando seleção de obras em meros fator de “marketing” bem trabalhado. (Silva, 1993, p.62)


• Possibilitar a atuação dos alunos/leitores na escolha dos livros é um fator de extrema importância na formação da identidade do leitor, é parte integrante do processo de aprendizagem, autonomia, descoberta, alem de propiciar prazer e liberdade, porem com o auxilio e mediação do professor.


Depois o livro é indicado, não escolhido pelo leitor... Como uma única historia pode interessar a toda uma classe?...Por que não ampliar os horizontes, indo às livrarias ou bibliotecas e deixando cada aluno manusear, folhear, buscar, achar, separar, repensar, rever, reescolher, até se decidir por aquele volume, aquele autor, aquele gênero, que, naquele determinado dia, lhe desperta a curiosidade, à vontade, a inquietação??? (Abramovich, 1995, p.140)


• As condições desfavoráveis das bibliotecas de muitas escolas dificultam a formação do leitor, uma vez que estando mal equipadas para atender o publico alvo, e em certos casos sendo inexistente, deixam de ser ambiente gerador de leitura.


Por outro lado, como as bibliotecas escolares inexistem ou são pessimamente equipadas em termos de acervo, os interesses específicos das crianças quase nunca são atendidos. Desta forma, a leitura da maioria dos alunos restringe-se a “pitadas de decodificação” do livro didático, apostilas e/ou compêndios de literatura. Dai o habito da não-leitura ou da leitura do livro fino ser uma constante em nossas salas de aula. (Silva, 1993, p.62)


• O ato de ler deve ser compreendido na escola com uma atividade em si, como uma atividade livre, sem estar atrelado a qualquer obrigatoriedade, tarefa ou avaliação ortodoxa imposta pelo professor-currículo.Deve também, estimular a criticidade e a criatividade dos alunos/leitores.


Me parece que a preocupação básica seria formar leitores porosos, inquietos, críticos, perspicazes, capazes de receber tudo o que uma boa historia traz, ou que saibam por que não usufruíram aquele conto...Literatura é arte, literatura é prazer...que a escola encampe esse lado. É apreciar – e isso inclui criticar... (Abramovich, 1995, p.148)


• Deve-se oportunizar sempre diferentes gêneros textuais, a fim de que se familiarize e desenvolva maior competência na leitura.


• Deve-se trabalhar com a produção textual do aluno, sendo este também capaz de ser autor, estimulando assim a criatividade.


Uma das grandes indagações sobre a pratica leitora, formação do aluno/leitor é o que se deve incentivar, objetivar. Habito, gosto ou prazer pela leitura? Neste contexto, existem os que objetivam um, mas que sem se dar conta estão buscando outro.


Gosto segundo o Dicionário Aurélio é: prazer; critério, opinião; faculdade de julgar os valores estéticos segundo critérios subjetivos, sem levar em conta normas preestabelecidas. E este depende das visões socio-históricas e culturais de mundo, da realidade vivida, das vivencias.


Habito segundo Ruth Rocha é um ato mecânico, que se realiza sem refletir sobre o que se esta desenvolvendo, é como escovar os dentes.


Prazer segundo Roland Barthes é “Texto de prazer: aquele que contenta, enche, dá euforia; aquele que vem da cultura, não rompe com ela, está ligado a uma pratica confortável de leitura...” (p.49). Ler um texto com prazer é perceber suas nuanças, mesmo diante de um texto nao-literário, é perguntar sobre seus possíveis desdobramentos intertextuais.


Assim, segundo a concepção de leitura ampliada, um dos objetivos na formação do leitor é que este tenha prazer na leitura, para que assim esta possa ser uma constante em sua vida.


Para tornar os alunos bons leitores, para desenvolver o gosto e o compromisso com a leitura, a escola terá que mobilizá-los internamente pois esse é um aprendizado que requer esforço. Precisará fazê-los achar que ler é interessante e desafiador, algo que, conquistado plenamente, dará a eles autonomia e independência. E terá que oferecer condições favoráveis para as praticas – que não se restringem apenas aos recursos materiais disponíveis, pois, na verdade, todas as evidencias têm revelado que o uso que se faz dos livros e de materiais escritos é o aspecto mais determinante para a formação de leitores de fato. (Prado, 1999, p.84)

A MENINA QUE ODIAVA LIVROS

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O que é letramento?


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Sugestões de atividades


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Sugestões de atividades com leitura e escrita

1) Nova escola. N° 221 – A Origem da Vida. Abril 2009
Língua Portuguesa – Produção de texto – 3° ao 5° ano (pg 54)
“Ler para escrever”
Bons leitores são bons escritores? Nem sempre. Para enfrentar o desafio da escrita, é preciso investigar as soluções de autores reconhecidos,
Rodrigo Ratier

Muitas pessoas afirmam que para escrever bem é preciso ler bem, por isso grande parte dos professores propõem aos alunos ler muito, ler de tudo, na esperança de que seus textos melhorem automaticamente. Porém, tal evolução simplesmente não aparece.
Para fazer avançar a escrita, a prática não pode ser um ato descompromissado, sem foco. Pelo contrário: exige atenção e um encadeamento bem definido de atividades, que tenham como objetivo mostrar como redigir textos específicos.
“A leitura para escrever é um momento especial, que coloca os estudantes numa posição de leitor diferente da que usualmente ocupam. Afinal, a tarefa deles será encontrar aspectos do texto que auxiliem a resolver seus próprios problemas de escrita”, afirma Débora Rana, psicóloga e formadora de professores do Instituto Avisa Lá, em São Paulo.
Trechos de contos trazem ótimas sugestões para os textos
A idéia do trabalho é analisas os efeitos e o impacto que cada obra causa em quem as lê. Quando a turma lê diversos textos bons, com expressões e características recorrentes, ela consegue, pouco a pouco, entender que é a linguagem que gera os tais efeitos que tanto nos comovem e divertem.
Com base neste trabalho, vemos que os contos são essenciais de serem abordados com os alunos, principalmente nas classes de 3° ano, oferecendo excelentes recursos para enriquecer produções de gêneros literários. Cabe ao professor, então, no papel de leitor mais experiente, compartilhar com a turma as principais preciosidades literárias, sendo necessário abordar aspectos como:
●Linguagem e expressões características de cada gênero;
●Descrição psicológica;
●Descrição de cenários;
●Ritmo e
●Caracterização dos personagens.
Porém, o trabalho não para por ai, visto que é necessário que os alunos ponham seus conhecimentos em prática, já que apesar de a leitura ser essencial para impulsionar a escrita, não se desenvolve o comportamento de escritor sem enfrentar os complexos desafios de escrever.

2) Nova Escola, n° 228. "50 Idéias para 2010", dezembro de 2009. ( pg 61)
Língua Portuguesa – Produção de texto – 5° ao 7° ano
“Lição de mestre”
Ao conhecer as características de estilo de autores profissionais, os alunos aprendem diferentes maneiras de estruturar um texto e abordar um tema.
Anderson Moço
É extremamente necessário aos alunos ter contato com várias obras de diversos escritores, a fim de detectarem suas marcas estilísticas e usá-las em suas produções. “É importante que as crianças sejam levadas a observar as criações e as transgressões literárias para que possam enriquecer suas produções”, diz Ana Cristina Zelmanovitz, pedagoga e pesquisadora do Centro de Estudo e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).
O primeiro passo é escolher as obras de um autor a serem dissecadas de acordo com as necessidades de aprendizagem da turma. Não se trata de eleger textos ditos difíceis ou fáceis, assinados por nomes consagrados ou vanguardistas.
Depois da leitura, é interessante conversar com os alunos para que eles percebam as características que marcam os textos. Alguns recursos nem sempre ficam explícitos depois da primeira analise: é preciso levar a garotada a percebê-los. Para isso, questione algumas decisões do autor, as maneiras como ele resolve problemas acerca da forma e da linguagem, e da estrutural geral do texto em si.

A proposta também não pode tangenciar a escolarização da leitura. Os reais objetivos de focar os traços de um escritor, além de fazer com que os estudantes conheçam mais sobre a cultura escrita para redigir melhor, é ajudá-los a perceber que seguir um escritor, acompanhando sua trajetória profissional, é uma saborosa aprendizagem, sem querer, com isso, formar Clarices, Machados, Gorges, entre outros.
Como exemplos de atividades enriquecedoras, neste exemplar temos: (Pg 66)
1 - Fazer da leitura uma tarefa diária;
2 - Abordá-la em todas as disciplinas;
3 - Realizar leitura em voz alta, em grupo e com o objetivo de localizar dados para compará-los;
4 - trabalhar com resumos, destacando as idéias importantes do texto.
É mencionado, também, um dos fatores que contribui com as dificuldades de leitura dos alunos:
1 - a maioria das escolas trabalhar como se todos os alunos tivessem o mesmo nível de aprendizado, o que acaba empurrando para baixo os que têm dificuldades e precisam de acompanhamento para aprender.

Bibliografia:
Nova escola. N° 221 – A Origem da Vida. Abril 2009.
Nova Escola, n° 228. "50 Idéias para 2010", dezembro de 2009.

O que dizem os PCN?


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A leitura e a escrita, segundo os PCN de Língua Portuguesa:

Como destacado no PCN de Língua Portuguesa, para a participação social efetiva, é necessário ao indivíduo o domínio da língua oral e escrita, visto que é por meio dela que o homem se comunica, tem acesso à informação, se expressa e partilha opiniões.
Assim, cabe à escola garantir que todos tenham acesso aos saberes lingüísticos, formando-os para a cidadania.
Neste documento, é destacado que os índices de repetência nas séries iniciais se relacionam à dificuldade que a escola tem de ensinar a ler e escrever, visto que trata os textos como algo sem vida, sendo estes curtos, simples, empobrecidos e como conjunto de regras a serem aprendidas, e concebe as variedades lingüísticas de menor prestigio como inferiores e erradas, sempre corrigindo a fala do aluno. Ou seja, ao invés de buscar aproximar os alunos de textos complexos, busca-se simplificar a leitura oferecida a eles. Assim, a escola contribui com a formação de leitores que somente decodificam as palavras, porém, não compreendem os sentidos do texto.
De acordo com o texto, a alfabetização não deve se basear na memorização de letras e sílabas, mas sim possibilitar ao aluno perceber o que a escrita representa e a forma como ela representa graficamente a linguagem, bem como explorar a linguagem oral em diversos contextos de uso, levando os alunos a pensar sobre a linguagem para que possam compreendê-la e utiliza-la de forma adequada, além de superar preconceitos relativos à maneira de falar de cada povo e região.


È dever da escola, ampliar os conhecimentos prévios dos alunos, ampliando a capacidade dos alunos na interpretação de diferentes textos de circulação social e de produzi-los, bem como de saber adequar sua linguagem ao contexto comunicativo.
Outro tópico diz respeito à possibilidade de a escola desfazer o mito de que só há uma única forma certa de falar e que a escrita é o “espelho da fala”.
Destaca-se, ainda, a importância de se trabalhar com textos literários no cotidiano da sala de aula, pois este aborda o conhecimento de uma forma específica, explorando sempre suas singularidades, sutilezas, sentidos e profundidade.
Os Parâmetros destacados abordam os objetivos gerais a serem abordados no ensino fundamental, sendo ele:

• expandir o uso da linguagem em instâncias privadas e utilizá-la com eficácia em instâncias públicas, sabendo assumir a palavra e produzir textos — tanto orais como escritos — coerentes, coesos, adequados a seus destinatários, aos objetivos a que se propõem e aos assuntos tratados;
• utilizar diferentes registros, inclusive os mais formais da variedade lingüística valorizada socialmente, sabendo adequá-los às circunstâncias da situação comunicativa de que participam;
• conhecer e respeitar as diferentes variedades lingüísticas do português falado;
• compreender os textos orais e escritos com os quais se defrontam em diferentes situações de participação social, interpretando-os corretamente e inferindo as intenções de quem os produz;
• valorizar a leitura como fonte de informação, via de acesso aos mundos criados pela literatura e possibilidade de fruição estética, sendo capazes de recorrer aos materiais escritos em função de diferentes objetivos;
• utilizar a linguagem como instrumento de aprendizagem, sabendo como proceder para ter acesso, compreender e fazer uso de informações contidas nos textos: identificar aspectos relevantes; organizar notas; elaborar roteiros; compor textos coerentes a partir de trechos oriundos de diferentes fontes; fazer resumos, índices, esquemas, etc.;
• valer-se da linguagem para melhorar a qualidade de suas relações pessoais, sendo capazes de expressar seus sentimentos, experiências, idéias e opiniões, bem como de acolher, interpretar e considerar os dos outros, contrapondo-os quando necessário;
• usar os conhecimentos adquiridos por meio da prática de reflexão sobre a língua para expandirem as possibilidades de uso da linguagem e a capacidade de análise crítica;
• conhecer e analisar criticamente os usos da língua como veículo de valores e preconceitos de classe, credo, gênero ou etnia.

O trabalho com Língua Portuguesa deve ocorrer com base na organização em eixos de uso da língua oral e outro de uso da língua escrita.
Com relação ao trabalho de produção oral, os parâmetros sugerem:

• atividades em grupo que envolvam o planejamento e realização de pesquisas e requeiram a definição de temas, a tomada de decisões sobre encaminhamentos, a divisão de tarefas, a apresentação de resultados;
• atividades de resolução de problemas que exijam estimativa de resultados possíveis, verbalização, comparação e confronto de procedimentos empregados;
• atividades de produção oral de planejamento de um texto, de elaboração propriamente e de análise de sua qualidade;
• atividades dos mais variados tipos, mas que tenham sempre sentido de comunicação de fato: exposição oral, sobre temas estudados apenas por quem expõe; descrição do funcionamento de aparelhos e equipamentos em situações onde isso se faça necessário; narração de acontecimentos e fatos conhecidos apenas por quem narra etc. Esse tipo de tarefa requer preparação prévia, considerando o nível de conhecimento do interlocutor e, se feita em grupo, a coordenação da fala própria com a dos colegas — dois procedimentos complexos que raramente se aprendem sem ajuda.
O trabalho com linguagem oral deve acontecer no interior de atividades significativas: seminários, dramatização de textos teatrais, simulação de programas de rádio e televisão, de discursos políticos e de outros usos públicos da língua oral. Só em atividades desse tipo é possível dar sentido e função ao trabalho com aspectos como entonação, dicção, gesto e postura que, no caso da linguagem oral, têm papel complementar para conferir sentido aos textos.
Quanto à linguagem escrita, o trabalho com leitura tem como finalidade a formação de leitores competentes e, conseqüentemente, a formação de escritores, pois a possibilidade de produzir textos eficazes tem sua origem na prática de leitura, espaço de construção da intertextualidade e fonte de referências modelizadoras. A leitura, por um lado, nos fornece a matéria-prima para a escrita: o que escrever.
Por outro, contribui para a constituição de modelos: como escrever.
Um leitor competente é alguém que, por iniciativa própria, é capaz de selecionar, dentre os trechos que circulam socialmente, aqueles que podem atender a uma necessidade sua. Que consegue utilizar estratégias de leitura adequada para abordá-los de forma a atender a essa necessidade.
Formar um leitor competente supõe formar alguém que compreenda o que lê; que possa aprender a ler também o que não está escrito, identificando elementos implícitos; que estabeleça relações entre o texto que lê e outros textos já lidos; que saiba que vários sentidos podem ser atribuídos a um texto; que consiga justificar e validar a sua leitura a partir da localização de elementos discursivos.
Um leitor competente só pode constituir-se mediante uma prática constante de leitura de textos de fato, a partir de um trabalho que deve se organizar em torno da diversidade de textos que circulam socialmente. Esse trabalho pode envolver todos os alunos, inclusive aqueles que ainda não sabem ler convencionalmente.
É preciso, portanto, oferecer-lhes os textos do mundo: não se formam bons leitores solicitando aos alunos que leiam apenas durante as atividades na sala de aula, apenas no livro didático, apenas porque o professor pede. Eis a primeira e talvez a mais importante estratégia didática para a prática de leitura: o trabalho com a diversidade textual. Sem ela pode-se até ensinar a ler, mas certamente não se formarão leitores competentes.
Para tornar os alunos bons leitores — para desenvolver, muito mais do que a capacidade de ler, o gosto e o compromisso com a leitura —, a escola terá de mobilizá-los internamente, pois aprender a ler (e também ler para aprender) requer esforço. Precisará fazê-los achar que a leitura é algo interessante e desafiador, algo que, conquistado plenamente, dará autonomia e independência. Precisará torná-los confiantes, condição para poderem se desafiar a “aprender fazendo”. Uma prática de leitura que não desperte e cultive o desejo de ler não é uma prática pedagógica eficiente.
Formar leitores é algo que requer, portanto, condições favoráveis para a prática de leitura, tais como:
• dispor de uma boa biblioteca na escola;
• dispor, nos ciclos iniciais, de um acervo de classe com livros e outros materiais de leitura;

• organizar momentos de leitura livre em que o professor também leia.
Para os alunos não acostumados com a participação em atos de leitura, que não conhecem o valor que possui, é fundamental ver seu professor envolvido com a leitura e com o que conquista por meio dela. Ver alguém seduzido pelo que faz pode despertar o desejo de fazer também;
• planejar as atividades diárias garantindo que as de leitura tenham a mesma importância que as demais;

• possibilitar aos alunos a escolha de suas leituras. Fora da escola, o autor, a obra ou o gênero são decisões do leitor. Tanto quanto for possível, é necessário que isso se preserve na escola;
• garantir que os alunos não sejam importunados durante os momentos de leitura com perguntas sobre o que estão achando, se estão entendendo e outras questões;
• possibilitar aos alunos o empréstimo de livros na escola. Bons textos podem ter o poder de provocar momentos de leitura junto com outras pessoas da casa — principalmente quando se trata de histórias tradicionais já conhecidas;
• quando houver oportunidade de sugerir títulos para serem adquiridos pelos alunos, optar sempre pela variedade: é infinitamente mais interessante que haja na classe, por exemplo, 35 diferentes livros — o que já compõe uma biblioteca de classe — do que 35 livros iguais. No primeiro caso, o aluno tem oportunidade de ler 35 títulos, no segundo apenas um;
• construir na escola uma política de formação de leitores na qual todos possam contribuir com sugestões para desenvolver uma prática constante de leitura que envolva o conjunto da unidade escolar.
Como sugestões de trabalho, temos a leitura realizada;

• de forma silenciosa, individualmente;
• em voz alta (individualmente ou em grupo) quando fizer sentido dentro da atividade;
• pela escuta de alguém que lê.
No entanto, alguns cuidados são necessários:

• toda proposta de leitura em voz alta precisa fazer sentido dentro da atividade na qual se insere e o aluno deve sempre poder ler o texto silenciosamente, com antecedência — uma ou várias vezes;
• nos casos em que há diferentes interpretações para um mesmo texto e faz-se necessário negociar o significado (validar interpretações), essa negociação precisa ser fruto da compreensão do grupo e produzir-se pela argumentação dos alunos. Ao professor cabe orientar a discussão, posicionando-se apenas quando necessário;
• ao propor atividades de leitura convém sempre explicitar os objetivos e preparar os alunos. É interessante, por exemplo, dar conhecimento do assunto previamente, fazer com que os alunos levantem hipóteses sobre o tema a partir do título, oferecer informações que situem a leitura, criar um certo suspense quando for o caso, etc.;
• é necessário refletir com os alunos sobre as diferentes modalidades de leitura e os procedimentos que elas requerem do leitor. São coisas muito diferentes ler para se divertir, ler para escrever, ler para estudar, ler para descobrir o que deve ser feito, ler buscando identificar a intenção do escritor, ler para revisar. É completamente diferente ler em busca de significado — a leitura, de um modo geral — e ler em busca de inadequações e erros — a leitura para revisar. Esse é um procedimento especializado que precisa ser ensinado em todas as séries, variando apenas o grau de aprofundamento em função da capacidade dos alunos.
A defesa de práticas significativas e intensas de leitura em voz alta, realizadas pelo professor, centra-se no fato de a mesma:

• ampliar a visão de mundo e inserir o leitor na cultura letrada;
• estimular o desejo de outras leituras;
• possibilitar a vivência de emoções, o exercício da fantasia e da imaginação;
• permitir a compreensão do funcionamento comunicativo da escrita: escreve-se para ser lido;
• expandir o conhecimento a respeito da própria leitura;
• aproximar o leitor dos textos e os tornar familiares — condição para a leitura fluente e para a produção de textos;
• possibilitar produções orais, escritas e em outras linguagens;
• informar como escrever e sugerir sobre o que escrever;
• ensinar a estudar;
• possibilitar ao leitor compreender a relação que existe entre a fala e a escrita;
• favorecer a aquisição de velocidade na leitura;
• favorecer a estabilização de formas ortográficas.
Uma prática intensa de leitura na escola é, sobretudo, necessária, porque ler ensina a ler e a escrever.

Entrevista com alunos sobre a leitura


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OPINIÃO DOS ALUNOS SOBRE LEITURA


Foram entrevistados um total de 45 alunos de 02 escolas públicas e 01 da rede privada.

O resultado da pesquisa aponta para a falta de gosto pela leitura entre os estudantes e que essa poderá tornar-se interessante desde que o aluno possa escolher o que vai ser lido. Outro fator fundamental para que a leitura possa proporcionar prazer, segundo os estudantes, é de que, não tenham que ser avaliados sobre o que leram. De acordo com a pesquisa, a escolha dos temas de leitura deve atender ao interesse dos alunos e leitura conjunta de professor e aluno pode ser relevante para se formar um leitor.
Baseando-se nos dados obtidos na pesquisa, o professor não pode mais fechar os olhos para o grave problema da leitura na formação do leitor. Este deve perceber que a leitura não pode servir de pretexto para ensinar conteúdos descontextualizados e sem significação para o aluno. Deve, sim, buscar alternativas que possibilitem o entrelaçamento da prática de abordar a leitura como forma de promover a libertação do aluno/leitor e possa despertar nele a motivação, a criatividade, a imaginação e a produção de sentidos através da interação deste com o texto. Para isso, a leitura selecionada deve ser instigante e ter relevância para o aluno/leitor.

Ler devia ser proibido!


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Opinião de professores sobre a formação do leitor


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Realizamos uma pesquisa informal com professores não apenas de Língua Portuguesa, mas também de diversas outras disciplinas curriculares e pedagogos, de 4 escolas, públicas e particulares, dos ensinos fundamental e médio, repassando-lhes a pergunta que moveu nossa pesquisa: “Como formar um leitor?”

As respostas dadas à pergunta puderam ser agrupadas, de forma geral, como expresso abaixo:

É interessante perceber que a extensa maioria dos educadores apresentou um bom conhecimento do assunto, respondendo de acordo com o que preconizam os instrumentos legais e os estudiosos do assunto, identificando a importância de se trabalhar com a maior quantidade de material de leitura possível. Esses 53% correspondem, em massa, aos professores de Língua Portuguesa, também a grande parte dos pedagogos e apenas alguns professores de outras disciplinas, que demonstraram compromisso com a formação integral do aluno.

Os 11% que responderam que se deve trabalhar a partir da vontade do aluno faz parte do grupo de professores de Língua Portuguesa e surpreendem ao demonstrar compreensão simplificada das teorias que discutem o tema.

Os professores das demais disciplinas, concentrados, em sua maioria, nos 16% que afirma não possuir subsídios teóricos para responder à pergunta, estranharam o fato de estarem sendo questionados a respeito do tema visto que, apesar de reconhecerem a existência do problema e afirmarem que tal fato afeta também o rendimento dos alunos nas disciplinas que lecionam, creem que a responsabilidade desse tipo de formação diz respeito à área das linguagens e, portanto, aos professores de língua portuguesa e literatura.

Houve ainda um grupo de 20% (envolvendo profissionais de todos os grupos ouvidos) que acredita que o problema de leitura dos alunos é apenas uma ponta do grande dilema vivido pela educação atualmente e, por isso, veem a necessidade de uma grande reforma no sistema de ensino antes que tal questão seja solucionada.

Retornando ao foco da pesquisa, em se tratando de habilidades de leitura, os estudiosos pregam que “esse conhecimento deve ser trabalhado didaticamente em sala de aula, oferecendo possibilidades para que os alunos observem e manuseiem muitos textos pertencentes a gêneros diversificados e presentes em diferentes suportes” (VAL, 2006, p.20). Desta forma, percebe-se que a maioria dos profissionais da educação entrevistados possui esse entendimento.

No entanto, espanta o depoimento de 11% professores de língua materna, que demonstraram interpretar de maneira equivocada as novas teorias sobre o ensino da leitura, acreditando que basta trabalhar a partir da vontade do aluno para que o problema seja resolvido.

Outro dado curioso é o grande número de professores de outras disciplinas que se isentam de responsabilidades quanto à formação do aluno como leitor e autor. Villardi (2005) ressalta que “dificuldades de compreensão afetam diretamente o desempenho do aluno, não só no que diz respeito à linguagem, mas em todas as áreas do conhecimento, e, o mais grave, durante toda a sua escolaridade”.

Os PCN+ do Ensino Médio (2006) apontam que “[...] o ensino de Língua Portuguesa, hoje, busca desenvolver no aluno seu potencial crítico, sua percepção das múltiplas possibilidades de expressão linguística, sua capacitação como leitor efetivo dos mais diversos textos representativos de nossa cultura”. Desta forma, confirma o resultado massivo da pesquisa mas, no entanto, a consciência dos educadores sobre o que é preciso fazer para minimizar o problema não tem trazido resultados efetivos na formação do leitor. Talvez ainda falte uma noção precisa de como essas teorias (já conhecidas pela maioria dos professores) - visto que 11% dos professores acreditam que basta seguir a vontade do aluno -, podem ser revertidas em atividades práticas para uma formação adequada e duradoura do hábito e do gosto pela leitura.

Referências:

BRASIL. PCN+ Ensino Médio – Orientações Curriculares Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Brasília: MEC/SEB, 2006.

VAL, Maria da Graça Costa. O que é ser alfabetizado e letrado? In: CARVALHO, Maria Angélica Freire de; MENDONÇA, Rosa Helena (orgs.). Práticas de leitura e escrita. Brasília: MEC, 2006. p.18-23.

VILLARDI, Raquel. Ensinando a gostar de ler e formando leitores para a vida inteira. 2ª. reimpressão. Rio de Janeiro: Qualitymark / Dunya, 2005.

Experiência de sucesso...


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Na Escola Municipal Jardel Hottz, localizada no Município de Nova Friburgo-RJ, os alunos são incentivados a freqüentarem a biblioteca com freqüência. Uma vez na semana os alunos têm acesso ao acervo de livros, que foram catalogados de acordo com o nível de leitura.
Segundo a Diretora Adriana da Rocha, muitos foram os apoiadores nesta caminhada – uma enorme gama de editoras, escolas particulares (em especial o Externato Santa Ignez), professores e comunidade – mas a parceria estabelecida com o Banco Itaú foi de fundamental importância para a realização de nosso sonho: proporcionar aos nossos alunos um maior acesso à leitura. Com o número de livros recebidos pelo Banco Itaú – quase 150 exemplares e uma linda estante móvel – a escola disponibilizou o empréstimo dos livros, tornando possível para as crianças e adolescentes da unidade escolar desfrutar da leitura em casa, compartilhando com suas famílias todo o aprendizado que um bom livro pode oferecer.
Nossa escola está em festa!
Ficou curioso? Acesse o blog da escola e conheça um pouco mais do trabalho desenvolvido com intuito de incentivar a leitura dentro da escola.
http://jardelhottz.blogspot.com/

Projetos e atividades de leitura por prazer devem…


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  • Ser um convite à imaginação;
  • Desenvolver a escuta atenta;
  • Prever situações de leitura em voz alta pelo professor e pelos alunos;
  • Ter como foco a leitura de textos literários;
  • Quando for pertinente, envolver outras linguagens, como música, pintura e cinema;
  • No caso de livros longos, promover a leitura do texto em capítulos (ou em partes), interrompida por desafios para os alunos.
  • Propor a leitura individual para estimular preferências e formar leitores autônomos.

Por que lemos tão pouco?


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Segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL), cada brasileiro lê pouco mais de dois livros por ano. Na Inglaterra, estima-se que a média seja de 4,9; nos Estados Unidos, é de 5,1. Outro dado preocupante: por aqui, o tempo médio dedicado à leitura não passa de 5,5 horas por semana, enquanto na Índia - um país em desenvolvimento cuja situação econômica é semelhante à do Brasil - a média é quase o dobro, de dez horas semanais. Por que lemos tão pouco? Há várias respostas, a começar pelo desconcertante grau de analfabetismo funcional.

O último Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgado no início de 2008 pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa, revela que apenas 28% dos brasileiros com idade entre 15 e 64 anos têm domínio pleno da leitura e da escrita - ou seja, conseguem ler textos longos, localizar e relacionar mais de uma informação, comparar dados e identificar fontes. Entre os 72% restantes, as habilidades de leitura e escrita são rudimentares ou básicas, limitando-se à compreensão de títulos, frases e textos curtos.

Outro fator que ajuda a explicar os índices precários de leitura no Brasil: até o final de 2007, 380 municípios de todo o país - cerca de 7% do total - simplesmente não contavam com uma biblioteca pública sequer. A situação já foi bem pior: em 2003, eram 1 173 as cidades sem esse serviço. No entanto, construir bibliotecas Brasil afora e enchê-las de livros não significa resolver o problema. É preciso preparálas para atingir seus objetivos, entre os quais destaca-se o de incentivar a leitura entre crianças, jovens e adultos. "Nos últimos 15 anos, passamos a encontrar livros em maior quantidade nas bibliotecas", afirma Elizabeth Serra, secretária-geral da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). "O problema é que, no Brasil, a rede de bibliotecas públicas é muito frágil. O sistema não foi informatizado, não há espaços planejados para os pequenos, os livros são antigos e não há renovação anual do acervo."